alhos & bugalhos
Dados do Banco de Germoplasma da Ceplac e da rentabilidade econômica em SAFS com Cacau são apresentados na Sedap
Como parte das ações do Programa de Desenvolvimento da Cadeia
Produtiva de Cacau (Procacau), foi realizado na sede da Secretaria de
Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), na quarta-feira (27), o
Workshop técnico “Desenvolvimento de Germoplasma de Cacau e Sistemas
Agroflorestais Futuros” da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).
A programação reuniu representantes de instituições públicas, produtores de
cacau além de técnicos e especialistas do segmento agrícola e produtivo.
Durante o evento na Sedap, foram realizadas pelos
especialistas da Ceplac as palestras “Desenvolvimento de Germoplasma de
Cacau e Sistemas Agroflorestais Futuros” com o pré-lançamento do Catálogo de
Descritores do Banco Ativo de Germoplasma de Cacau da Ceplac e “Rentabilidade
Econômica em Sistemas Agroflorestais com Cacau”.
Os projetos apresentados durante a programação, como explicou o
coordenador do Procacau da Sedap, Ivaldo Santana, fazem parte do trabalho
desenvolvido com recursos do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau).
“A gente apoia a Ceplac e ela vai fazendo a pesquisa e desenvolvendo os
projetos”, observou.
O evento contou com a participação de produtores de cacau de
diferentes regiões que puderam acompanhar não apenas de maneira presencial como
por meio da transmissão virtual gerada pela Sedap, segundo destacou Santana. “A
finalidade do nosso trabalho de fomento é atingir em primeira instância o
produtor. Os técnicos precisam ter o conhecimento para repassar aos produtores
e eles vindo diretamente têm ciência que a gente está desenvolvendo um trabalho
para melhorar a qualidade do trabalho no campo”, enfatizou.
Germoplasma – Entre as iniciativas apresentadas que
visam essa melhoria está o desenvolvimento do Catálogo de Descritores do Banco
Ativo de Germoplasma de Cacau pela Ceplac. Segundo informou o Doutor em
Biologia na Agricultura e no Ambiente da Ceplac, Carlos Rogério Silva, o banco
da Ceplac é o maior do mundo, com mais de 28 mil acessos. Atualmente está sendo
elaborado o catálogo de cultivares desse banco que será lançado em data ainda a
ser marcada, segundo informou.
O banco conta com dados morfológicos que são quantitativos, como
tamanho e peso do fruto, quantidade de sementes que ele tem, quanto gera de
peso de sementes secas, conforme detalhou Silva. “São dados que interessam ao
nosso agricultor, como produzir cultivar. Também temos dados moleculares, que
são estudos que nós já fizemos; estamos fazendo tipagem desse material”,
detalhou.
No banco, há dados levantados desde 1965 – ano em que
começaram as coletas, como explicou o técnico. “Estamos vendo a melhor
maneira que vamos disponibilizar esses dados. A princípio temos um catálogo
onde haverá essas informações dessas cultivares”.
Eficiência – A melhora dos tratos culturais na lavoura
impacta na diminuição de perda e aumento da eficiência produtiva, segundo avaliou
o engenheiro agrônomo da Ceplac, Fernando Mendes, durante a apresentação do
painel sobre rentabilidade econômica do cacau. O Pará, segundo observou, conta
com 34 mil produtores de cacau. O especialista enfatizou a relação entre
eficiência produtiva e organização e os impactos positivos que essa relação
resulta.
Um produtor sozinho, em média, no Estado do Pará, produz em torno
de cinco toneladas de cacau, segundo explicou, mas se vir a se agrupar em uma
organização, o resultado será mais rentável, como observou o
especialista. “Vender cinco toneladas é uma coisa. Vender 50 toneladas de
cacau é outra coisa. Vender 500 toneladas é mais diferente ainda e certamente,
vender 5 mil toneladas de cacau é muito melhor. Então, quando pessoas se
juntam de forma organizada e essas pessoas organizadas são eficientes do ponto
de vista econômico, não resta a menor dúvida de que a rentabilidade aumenta”,
disse.
O produtor de cacau no Pará, segundo avaliou Mendes, conta
com instituições que prestam assistência técnica que contribuem com a
eficiência econômica do produtor, como é o caso da Fundação Solidaridad, por
exemplo, no município de Novo Repartimento (na Região de Integração Lago
Tucuruí) ou a assistência técnica feita pelo Serviço Nacional de Aprendizagem
Rural (Senar). Mas, ainda é um público pequeno que trabalha de forma
organizada, como observou. “A alternativa é o aumento de número de instituições
governamentais ou não governamentais para prestar assistência técnica; ou se
estabelece como um programa de política pública a assistência técnica para
produtor de cacau como forma de tornar essa atividade cada vez mais eficiente
do ponto de vista produtivo e econômico, portanto, mais rentável. A eficiência
produtiva e a organização são as palavras de ordem”, frisou.
O titular da Sedap, Giovanni Queiroz, que participou da abertura da programação, enfatizou a importância desse tipo de evento que leva ao produtor e aos técnicos da Sedap e de outras instituições públicas as ações que estão sendo feitas pela Ceplac, como é o caso do levantamento do banco de germoplasma. “A Ceplac já vem mostrando há muito tempo ao Brasil como pode contribuir para o setor produtivo. Se hoje temos a maior produtividade do mundo de cacau, é graças ao trabalho da Ceplac. Então esse evento aqui é de grande relevância”, disse. - Fonte: Agência Pará
Mercado de cacau segue volátil entre apostas climáticas e aumento dos estoques globais
O mercado
internacional de cacau inicia o mês de junho mantendo o mesmo cenário que
marcou as últimas semanas: forte volatilidade, incertezas climáticas e intensa
disputa entre expectativas altistas e baixistas. Enquanto os mercados
financeiros globais acompanham temas como as tensões geopolíticas envolvendo o
Irã e o avanço da inteligência artificial, os participantes do mercado de cacau
permanecem focados nos possíveis impactos do fenômeno El Niño e nas
especulações sobre o tamanho da próxima safra da África Ocidental.
Nos últimos
pregões, o comportamento dos preços tem sido marcado por movimentos bruscos de
alta e baixa, refletindo a dificuldade dos investidores em encontrar uma
direção clara para o mercado. As preocupações com um possível fortalecimento do
El Niño continuam sustentando parte do prêmio climático embutido nas cotações,
já que o fenômeno pode trazer impactos importantes para as lavouras de cacau da
Costa do Marfim e de Gana, responsáveis por mais de 60% da produção mundial.
Por outro
lado, as expectativas de recuperação da produção africana na safra 2025/26
seguem limitando movimentos mais agressivos de alta. A recente sinalização de
aumento na oferta marfinense e os elevados níveis de estoques monitorados pela
ICE têm reforçado a percepção de que o mercado poderá contar com uma
disponibilidade mais confortável de matéria-prima nos próximos meses.
O contrato
julho encerrou o pregão de sexta-feira cotado a US$ 3.923 por tonelada,
registrando queda de US$ 176. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a
mínima de US$ 3.895 e a máxima de US$ 4.175, evidenciando a elevada
volatilidade que continua predominando no mercado. Foram negociados 46.096
contratos, enquanto o interesse aberto aumentou em 2.289 posições, alcançando
203.324 contratos, sinalizando que novos participantes continuam ingressando no
mercado.
Outro fator
que segue pressionando as cotações é o avanço dos estoques certificados da
Intercontinental Exchange (ICE). Os volumes armazenados nos portos dos Estados
Unidos registraram novo crescimento de 36.746 sacas, atingindo 2.846.957 sacas,
o maior nível dos últimos dois anos. O aumento contínuo desses estoques é
interpretado por muitos operadores como um indicativo de oferta mais
confortável e demanda ainda cautelosa por parte da indústria processadora.
Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) do contrato julho está em 60%, indicando que o mercado mantém viés positivo de curto prazo, mas ainda distante de níveis considerados de sobrecompra. Fonte: mercadodocacau
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