Nossas fotografias
Com as nossas lentes diferentes
Enxergamos a vida. As nossas
percepções se uniam num mesmo
cenário e luz, capturados num mesmo
ângulo; éramos uma só paisagem.
Os cenários se revezavam
para nós. O
fundo das fotografias detalhava os momentos:
éramos brilhantes no salão de dança, éramos
corpos seminus desfilando na praia virgem,
éramos modelo de um perfeito amor, sem
cópias.
Nunca é demais afirmar
que as fotografias
começavam dentro de nós. Entre beijos e
abraços infindáveis, o filme nunca queimou
por causa da luz que nos irradiava nas
escuridões dos momentos translúcidos e
opacos. Em momentos em que tu passavas o
batom 3D, fotografando o seu perfil,
a minha alma repetia os momentos
passados, sem saber se haveria futuro.
Restam os álbuns,
lembranças e os banners
pendurados numa parede fria,
que não se desgastarão. Quando a solidão
se chamar saudade, seremos apenas
lembranças de um amor que ficou
nas lembranças das fotografias.
Se queres um amor
Se você quer um amor
novo,
Não abandone o amor presente.
Se ama a sua posição filosófica
E ela é confortável, não mudes; e,
Se mudares, será apenas por
Egoísmo latente de se abandonar.
Abandonar o amor é uma
rendição total,
desamparada e absoluta. Nunca foi sinônimo de
Fortaleza, mas de fraqueza perante o
Divino e belo, que une desatando-nos.
Vivemos
para viver, talvez numa ilha,
Sem necessidade de construirmos muros, mas
Plantando jardins de bem-me-quer, contando
Estrelas, voando até o firmamento quando
Nos couber e, no que couber.
Concordas?
A minha versão de amor é
fraca,
conhece todos os meus planos.
Ela me ilude em negociações,
inventa momentos, falsos enganos.
Me empurra sempre para o
amanhã,
brinca com o tempo que já não há.
E me desobedece em silêncio,
antes de desobedecer a minha fraca razão de amar.
Sou refém do que eu
mesmo criei,
um negociador que sempre perde a vez.
Nesse jogo onde o afeto dita as regras,
minha própria fraqueza me venceu outra vez.

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